Se quando se fala em lixo eletrônico você pensa em spam ou nos e-mails que recebe de pessas indesejáveis, pense duas vezes. O volume massivo de gadgets, aparelhos eletrônicos, receivers, TVs, notebooks e computadores gerado pelas sociedades civilizadas - nas quais nos orgulhamos de nos inserir - vem causando danos à saúde de países menos desenvolvidos e com pior distribuição de renda.

O tema agora é famoso - e-waste, ou electronic waste - e virou uma fonte de preocupação para muitas pessoas, cientistas e empresas.

[ E-waste ]

Até pouco tempo, as pessoas não pensavam muito para onde seus eletrônicos velhos iriam. Por mais que tentem reaproveitá-los com usos alternativos, alguma hora eles vão irremediavelmente para o lixo. Esse é um hábito até comum nos países mais desenvolvidos como EUA e Japão, mas no final das contas isso tem que parar em algum lugar - e não é no seu quintal.

Grandes fabricantes de eletrônicos têm programas bem estruturados para receber esses eletrônicos de volta - mas obviamente, isso é um custo gigante que elas não querem assumir inteiro. Poucas empresas contam que países como Nigéria, Índia e China compram essa sucata eletrônica com a premissa de que será reciclada… Mas você sabe o que acontece de verdade?

Já postei dois vídeos sobre isso no mundo.IT - aqui e aqui. Mas hoje um documentário mais completo foi divulgado na Internet, e você pode assisti-lo aqui ou no vídeo abaixo. Nele, você verá pessoas se amontoando em comunidades e cidades inteiras girando em torno da atividade de separar, queimar e vender o que se tira do lixo eletrônico.

O resultado? Altíssimas concentrações de metais pesados nos corpos de crianças, jovens e adultos. Onde isso vai parar? O pessoal de lá paga pra ver, e topou esperar 10 ou 20 anos para conhecer os resultados. Até porque o dinheiro está fluindo, e eles tratam a atividade como um emprego qualquer (será que têm outra alternativa?)

[ O que fazer? ]

Difícil fazer alguma coisa, a não ser que as pessoas se juntem em grupos de ação mais abrangente. A sociedade brasileira já depende dos catadores e recicladores de papelão e plásticos, mas não temos ainda uma especialidade dessas para eletrônicos.

Algumas iniciativas no Brasil já apareceram, patrocinadas pelo governo e por empresas de grande porte como a Microsoft. Exemplos são os CRCs - Centros de Recondicionamento de Computadores - criados em Porto Alegre (RS), Guarulhos (SP), Gama (DF), Niterói (RJ) e Belo Horizonte (MG). Mesmo assim, o foco desse programa é o programa de inclusão digital, recondicionando computadores descartados pelos órgãos do governo federal para doá-los a bibliotecas, escolas e telecentros. Como fica o que a sociedade e as empresas geram, provavelmente em volume bem maior que esse?

Em âmbito mundial, além do Greenpeace há iniciativas mais concretas como o STEP ou Solving the Ewaste Problem, apoiada pelos grandes produtores de eletrônicos no mundo (inclua na lista HP e Nokia, entre outros). As taskforces do STEP congregam cientistas, empresários e juristas, tentando criar meios de melhorar a legislação, redesign, reuso, reciclagem e aumento da capacidade do programa.

Cá entre nós, as estatísticas dizem que você e eu não nos preocupamos em reciclar lixo… e na nossa casa, não separamos rejeitos orgânicos de metais e plásticos. Há uma grande chance de você até fazer essa separação, mas seu condomínio - comercial ou residencial - misturar tudo no dia da coleta de lixo.

Como ainda estamos trabalhando em inclusão digital no Brasil, talvez nosso e-waste tenha uma solução encaminhada daqui a cinco ou dez anos. Até lá, veja os vídeos citados… e aposte na convergência digital, reduzindo o material eletrônico que você descarta como lixo.