E eis que o mundo da tecnologia quase parou nessa semana, aguardando ansioso o desfecho do caso Microsoft x Yahoo.
Se você ainda não sabe, a Microsoft fez uma oferta hostil de compra por US$ 44 bilhões e deixou inseguros tanto a diretoria, conselho e funcionários do Yahoo. Sim, já houve conversas anteriores ao longo dos anos entre as duas empresas, mas mais discretas e nos bastidores… Mas você já leu aqui que o Yahoo estava preparando demissões e tinha chegado a uma encruzilhada em seu modelo de negócio.
Talvez por medo de uma nova BSOD, o conselho do Yahoo vem realizando reuniões constantes desde a semana passada. Eles tentam encontrar saÃdas diferentes e analisar outras estratégias que não uma compra por US$ 44 bi. As alternativas que enxergo são:
- Uma recusa inicial para simplesmente puxar uma oferta maior (estima-se que seja de US$ 56 bi)
- Uma recusa inicial para ganhar tempo, e negociar longe dos holofotes da mÃdia
- Uma recusa definitiva, e a negociação de uma fusão ou aquisição parcial pelo Google
Com isso tudo, eu penso que o Yahoo nunca mais será visto como antes aos nossos olhos, e também considero impossÃvel uma resposta “Sim, aceitamos a compra”. Sou usuário do Yahoo desde 1994, quando ele era somente uma lista de bookmarks na URL http://cs.akebono.stanford.edu, e acompanhei dia a dia o crescimento do único grande portal que realmente sobreviveu à bolha de 2001. [Nota: o Google ainda não era um grande portal na época.] A força e marca da empresa são muito fortes para simplesmente sucumbir à secular e tradicional estratégia de aquisições da Microsoft.
Obviamente preocupado, o Google rapidamente se aproximou para “apoiar” o amigo Yahoo nesta decisão. Essas reuniões dos últimos dias já sinalizaram uma aliança excelente para as duas empresas: o Yahoo interrompe a veiculação de seus próprios anúncios em suas páginas, e se torna um grande espaço de veiculação do Google AdSense. Em outras palavras, o Yahoo ganharia muitos milhões de faturamento (com a receita de clicks nos anúncios Google) e o Google passaria a ter um aumento gigantesco no seu espaço de veiculação - e obviamente ter um grande impulso na sua receita… sem contar o aumento no market-share de publicidade online.
Como curiosidade, dê uma olhada na cotação da Microsoft caindo após a oferta de compra, dado que ela precisaria se endividar para completar a transação (e com a queda no preço da ação, tomar uma dÃvida ainda maior). Os papéis do Yahoo continuam estáveis com uma leve alta, e não tiveram a grande procura que normalmente caracteriza ofertas de aquisição deste tipo.

Steve Ballmer não deixa barato, e já correu para explicar que está tudo bem: a marca Yahoo vai continuar existindo, e a Microsoft só quer unir os talentos do Yahoo às suas milhares de cabeças pensantes. Até entendo, porque a melhor coisa que a Microsoft já soube fazer na Web foi o MSDN - e olhe lá.
O que eu queria mesmo era que essa fusão saÃsse, porque o mercado Web ia ficar bem mais competitivo e as regras do jogo iriam mudar. A sinergia entre as duas empresas é palpável, como por exemplo ter conteúdo Yahoo nos dispositivos Microsoft (XBox, Zune) e em troca ter o público mais jovem do Yahoo atraÃdo para o portal MSN e futuros lançamentos online da Microsoft. No final, o Google passaria a brigar com uma única empresa para ampliar seus 65% de participação no mercado de anúncios em buscas… Mas com certeza muitos Yahooligans (funcionários do Yahoo) iriam bater na porta do Google para pedir emprego, porque a fama da Microsoft não deve ser muito boa lá dentro.
Vamos esperar e assistir. Se você quiser, pode assinar o feed RSS de notÃcias aqui do Incubadora e vai saber tudo em primeira mão.