Semana passada encontrei um antigo professor do DCC/UFMG que me repassou dados de uma pesquisa interessante. É um estudo encomendado pela Fumsoft para ver como anda o mercado de TI em Minas Gerais, e que por algum motivo não foi divulgado de forma própria.

Decidi então publicar parte dos resultados da pesquisa, permitindo que mais pessoas tenham acesso a informações relevantes como essas. O universo estudado foi de 1950 empresas, das quais uma amostra de 111 foi selecionada para a pesquisa e suas estatísticas. Vou me concentrar nas empresas onde TI é um fim, e não nas empresas usuárias de TI.

O post é longo, mas os dados são legais e informativos.

[ Investimentos ]

33% das empresas não possuem um planejamento de investimentos, enquanto 30% afirmam planejar pelo menos para o ano seguinte. 9% e 3%, respectivamente, dizem planejar para os próximos 3 e 4 anos.

Um dos tópicos de investimento interessantes é o de capacitação de pessoas. Dado um valor determinado de investimento, a distribuição fica assim:

  • 23% das empresas afirmam investir até 10% do total em capacitação
  • 8.5% investiram entre 11% e 20%
  • 35% investiram entre 21% e 50%
  • 8.5% investiram mais de 50%

Eu torço para que você esteja trabalhando em uma das empresas na faixa dos 35% acima, porque a realidade do mercado é bem diferente. Afinal, os campeões de investimentos nas empresas são hardware e novos produtos. Do outro lado, 46% dos profissionais esperam que capacitação seja o investimento n. 1 das empresas de TI.

O interessante é que 60% das empresas afirmaram que um profissional recém-saído da faculdade leva entre 1 a 2 anos para se tornar pronto para o mercado. Elas devem estar esperando o concorrente investir na capacitação deles. 80% das empresas citam o fato dos profissionais saírem despreparados das universidades como causa da dificuldade em contratar.

[ Exportação de software e serviços ]

Praticamente 50% das empresas não vendem para o mercado externo, nem têm intenção em exportar. Em outras palavras, metade do empresariado mineiro não está nem aí para profissional falando Inglês. 40% das empresas que exportam dizem não saber quanto essa venda externa representa em relação ao seu faturamento total, e praticamente metade delas dizem que esse percentual está abaixo de 20%.

A pesquisa cita um outro professor sobre esse tema: “Todo produto tem que ser feito com o objetivo de exportar. Não vejo nenhum motivo para que isso não aconteça.” Que mais empresários pensem como ele.

[ Ensino ]

Minas Gerais possui 201 cursos de graduação e tecnológicos em TI, oferecendo quase 20 mil vagas por ano. Apenas 8 cursos técnicos existem nessa área, ofertando somente mil vagas. Na grande BH, especificamente, o número de vagas de graduação é de 3000, enquanto os tecnológicos ofertam 2700 e os técnicos 1500. Perceba que isso não é equivalente ao número de profissionais formados, e sim o número de vagas.

50% das empresas de TI dizem que seu principal requisito para contratação é uma graduação em TI. Mas apesar do pequeno número de vagas do ensino técnico, 23% das empresas afirmam que somente este curso é suficiente para contratação. Vai entender…

50% das empresas de TI afirmam buscar nas universidades os candidatos a novas vagas. Um bom motivo para riso é que somente 2% das empresas afirmarem que consideram buscar candidatos em concorrentes. Mais hipocrisia, impossível.

Um dado interessante é que 43% dos profissionais disseram ter formação em uma área diferente da Tecnologia, dos quais 21% são engenheiros e 11% são administradores. A UFMG e PUC, mesmo com sua pequena oferta de vagas, formaram quase 40% dos profissionais, enquanto a UNA (hoje com 12.000 alunos somando todos os cursos) formou 11% deles. A informação perigosa vem aqui: 40% dos profissionais foram encaixados em “Outras faculdades”.

[ Pessoas ]

84% das empresas de TI em MG empregam até 50 pessoas. Praticamente 50% de todos os profissionais nas empresas de TI estão entre 26 e 30 anos, e outros 35% têm entre 18 e 25 anos. Portanto, 85% dos profissionais de TI nas empresas que têm a tecnologia como fim estão abaixo dos 30 anos.

43% de todos os profissionais disseram que seu tempo máximo de permanência em uma empresa é de 3 anos, e outros 30% de 3 a 5 anos. Por outro lado, 70% das empresas de TI disseram que sua rotatividade de pessoal está abaixo de 15% - o que significa que o mercado está crescendo continuamente. De qualquer forma, sabe-se que as empresas têm formas diferentes de calcular a rotatividade… Por isso, não é possível levantar conclusões maiores nesse tópico.

65% das empresas dizem que sua rotatividade é um fenômeno de reposição natural de mão-de-obra, e 25% que é necessário trocar as pessoas que não se atualizam. 70% das empresas dizem também que é difícil contratar porque os profissionais bons vão para fora do estado. Não me admira… Praticamente metade das empresas de TI dizem que enxergam o salário médio do mercado de TI mineiro entre 1 e 5 salários mínimos.