Enquanto a Forrester Research desiste da América do Sul e o Uruguai comemora seu primeiro lote de XOs da OLPC, aos poucos o Brasil descobre que está prestes a ter um novo apagão - dessa vez, no mercado de TI.

Muita gente já disse em público que o interesse por cursos de TI está caindo. Enquanto as universidades federais têm anualmente 10 candidatos para cada uma de suas 3000 vagas de Computação, as faculdades particulares têm 3 vagas sobrando para cada candidato que consegue pagar no mínimo R$ 500 por um curso de Sistemas da Informação. O resultado disso é um aumento massivo de profissionais no mercado após 2 anos de cursos técnicos e tecnólogos, batendo às portas de empresários que não os acham suficientemente capacitados para seus projetos atrasados e over-budget.

No mesmo evento acima - “Exportação de Software e Serviços e Formação de Recursos Humanos em TI” promovido pela Frente Parlamentar de Informática em Brasília - também caiu a ficha no Softex de que a formação superior não necessariamente é adequada ao mercado de TI.

Agora só falta aprovarem a desoneração de impostos para as empresas de tecnologia brasileiras, e o empresariado promete que vai parar de reclamar do Governo.

[ Boa notícia? ]

Começando essa nova semana, a Folha nos surpreende dizendo que famílias menos abastadas estão comprando mais na Internet que as classes A e B. Isso não é só decorrência da melhoria do crédito mas também da gradual penetração da tecnologia entre as diferentes camadas da população brasileira. Afinal, se a comunidade de Heliópolis (São Paulo, com 100 mil habitantes) possui 32 lan-houses, alguma coisa mudou neste Brasil do século XXI.

O mais interessante é que não são o aumento de vendas nos computadores ou a emissão de novos cartões de crédito que fazem o e-commerce crescer… É justamente a exposição dos usuários à tecnologia que trazem mais confiança para comprar online.

[ E daí? ]

E daí que enquanto o empresariado discute as 100 mil vagas em aberto sem profissionais capacitados, mais e mais jovens estão usando o computador como uma ferramenta - e não seu ganha-pão. Quem acompanhou de perto a evolução da Internet no Brasil nos últimos 15 anos, sabe que a população conectada cresce a uma taxa muito maior que o crescimento do interesse pela tecnologia. Em outras palavras, o povo quer usar - e não entender como fazer.

Parece que estamos prestes a vivenciarmos uma reversão na TI brasileira: enquanto corremos atrás do próprio rabo por 5 anos para entendermos o que está acontecendo, as 100 mil vagas abertas terão 100 mil profissionais com um diploma nas mãos e desempregados. Os EUA passaram por isso na década de 90, e adivinhem onde foram parar grande parte dos empregos deles…

O índice de desemprego em uma área hoje aumenta ou diminui o interesse nessa área no futuro? Faça as contas…