Continuando o meme de que o Brasil não é inovador, lembrei de uma coisa interessante. Você já parou pra pensar que o Lego poderia ter mudado nossa história?
Explico…
[ Playmobil dominou o Brasil ]
Nos anos 70, eu brinquei de Playmobil. Muita gente também brincou, porque era um brinquedo que tinha tanto peças baratas (algo em torno de R$ 20 hoje) até grandes instalações (perto de R$ 200) - extremamente acessÃvel a diversas classes sociais.

Mas quem já arrancou o cabelo do Playmobil, sabe que a cabeça dele é vazia…
[ E chegou o Lego. ]
No meio da década de 80, o Lego também aportou no Brasil. O Lego era menos comum e estava presente nos baús de crianças mais ricas, quase restringindo o acesso ao seu principal segredo: ao contrário dos castelos prontos de Playbomil, ele era um brinquedo que estimulava a inteligência. Ele era remanejável, flexÃvel e poderia gerar estruturas diferentes.

Nada mal para uma marca criada na Dinamarca em 1934, mas que só ganhou o mundo com peças de plástico no final dos anos 60.
[ Lego + robótica ]
Nos anos 90, chegaram ao Brasil os kits eletrônicos de Lego. Era simples: você tinha estruturas pneumáticas, servos, portas seriais e interfaces PLC para criar robôs, máquinas ou equipamentos simplificados.

Dava pra fazer muita coisa diferente… isso virou brinquedo de muita gente no 2.o grau técnico, e trabalho de escolas (particulares, claro) em que se estimulava a criatividade e a inclinação cientÃfica. Existiam gincanas por exemplo em que deveria ser construÃda uma máquina de Lego em 2 horas que levasse um bloco de 1kg até o outro lado da sala. Como você resolveria isso?
[ Mindstorm! ]
No século XXI, o projeto Mindstorm da Lego criou coisas como o Nxt’reme. Já com licenciamento open-source, é possÃvel fazer o download de SDKs que facilitam em muito a criação de robôs e máquinas avançadas.

Talvez você encontre algum estudante de mecatrônica na USP ou Unicamp usando isso.
[ Conclusão ]
Agora imagine que o Brasil tivesse recebido a geração eletrônica do Lego tão cedo quanto os americanos, e que isso fosse usado nas escolas particulares de forma sistemática em aulas de FÃsica ou Ciências… Pra ficar mais fácil, olhe em volta e veja quantas escolas usam esse tipo de brinquedo-inteligente hoje em dia?
Se começássemos agora, em quantos anos estarÃamos criando ao invés de copiando tecnologia?