Nessa última semana estive em Brasília visitando o MEC e a equipe do Projeto UCA - Um Computador por Aluno. Conversando com parte do grupo de trabalho do projeto, aprendi bastante coisa útil sobre como um time pequeno está tentando fazer muita diferença.

[ O Começo ]

Em 2005, Nicholas Negroponte viajava o mundo para vender sua idéia mais recente: a Fundação OLPC - One Laptop Per Child. Ela tentava viabilizar a criação de um micro-computador portátil para melhorar o ensino nos países em desenvolvimento, e que fizesse parte da vida de cada criança na escola e fora dela. Negroponte e Seymour Papert, outro pesquisador do MIT Media Lab, encontraram o Presidente Lula em junho de 2005 para divulgar a OLPC.

Essa dupla tinha peso, porque Papert desenvolveu trabalhos importantes em Educação, além de ter sido um dos inventores da linguagem LOGO que povoava os computadores das escolas nos anos 80. Negroponte nasceu em berço de ouro (seu pai era um armador grego), mas nem por isso deixou de produzir muito em diversas universidades. Conhecido como um visionário/marketeiro (as opiniões variam), foi um dos pioneiros no estudo acadêmico da interface homem-máquina e o primeiro investidor da revista Wired.

Lula decidiu então criar o projeto UCA, liderado pela Assessoria Especial da Presidência, envolvendo o Serpro e os ministérios do Desenvolvimento, da Ciência e Tecnologia e da Educação. Em novembro de 2005 (5 meses depois da conversa com a OLPC), o grupo de trabalho já encontrava representantes da indústria para discutir a produção dos laptops.

[ A Proposta ]

O Projeto UCA tem três fundamentos:

  1. Desenvolver a indústria nacional, tentando trazer o máximo possível da produção dos equipamentos para dentro do Brasil
  2. A inclusão digital, planejando uma adoção ampla e permitindo que os laptops sejam levados para a casa dos alunos
  3. Desenvolver um projeto educacional de âmbito nacional, tentando acompanhar o processo pedagógico de adoção dos computadores e - quem sabe - revolucionar o ensino no Brasil.

[ O que eu vi e ouvi ]

A parte boa da conversa com o MEC foi justamente isso: ver o tamanho do comprometimento com a eficiência e eficácia de um laptop na vida e desenvolvimento do aluno. Ver pessoas que estão no governo há mais de 2 mandatos trabalhando em prol de uma causa. Em um país onde a corrupção é praticamente o padrão de facto, foi um alento ver funcionários públicos empenhados.

Tive a oportunidade de conhecer Classmate PC da Intel - que deve ser fabricado no Brasil pela Positivo e CCE - e o XO da OLPC. Não havia um Mobilis (da indiana Encore Software) disponível no dia em que visitei o MEC, e o Asus EEE da AsusTek ainda está em lançamento nos EUA.

Ouvi a equipe contar histórias legais sobre os projetos piloto de uso dos laptops, atingindo centenas de crianças em comunidades carentes de diferentes estados. Por exemplo, alguns alunos reclamavam que o “@” não existia no teclado, por isso não era possível mandar e-mails… e outros alunos - não menos carentes - descobriram que o @ poderia ser digitado pressionando CTRL-2.

Se você tiver interesse, existe uma apresentação do projeto disponível aqui.

[ Minhas conclusões ]

O projeto UCA é muito importante, e torço pra que ele consiga andar para frente. Pode fazer uma diferença muito grande no aspecto educacional, e quem sabe mudar a cultura das crianças já durante o ensino básico… As portas USB e conectividade wi-fi vão permitir voip e um mundo aberto de possibilidades.

Minha aposta - totalmente ingênua, porque acabei de conhecer o projeto mais a fundo - é o Asus EEE, que não foi criado para crianças carentes e sim para o público geral. Tela de 7 polegadas, wi-fi, câmera integrada, várias portas USB e um diferencial importante: ao contrário do Classmate, XO e Mobilis - todos com teclados minúsculos para dedos infantis - o Asus EEE tem teclas de tamanho médio que funcionam para crianças, adolescentes e adultos.

Veja mais sobre o Asus EEE PC nesse vídeo… E vamos torcer para que a solução escolhida seja a melhor para os alunos.